Covilhã | 404676
Numa altura em que a Paz devia ser para os Homens tão importante como era o néctar para os Deuses, a ganância desmedida teima em envolver o coração do Homem numa cegueira infinita. Espera-se um milagre! Aqui vos deixo o meu conto de Natal que apela à solidariedade, à humildade, à partilha com aquele que tem menos ou simplesmente não tem. Se tiver de ser através de um milagre, que seja! Boas Festas a Todos! Alexandra Fael
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São rosas, senhora, são rosas!
A noite estava fria, gélida. As casas brilhavam no interior, iluminadas pelos lustres e pela chama das lareiras. Pela abertura de uma janela, sentia o calor percorrer o meu corpo anestesiado pelo frio. Ainda não tinha passado muito tempo que por ali me encontrava, e as lojas mantinham-se abertas à espera de vender as últimas prendas para a noite natalícia. Eu tentava vender o meu último bem, a minha preciosidade oferecida pela minha querida princesa, antes de ter adoecido. Ela sabia que a venda daquele bem satisfaria a minha noite de Natal, pois com a venda poderia comprar comida para a ceia e consolar os meus filhos, pobres filhos! Ouvi passos na rua e gritei bem alto: – São rosas, senhor, são rosas! Compre para oferecer à sua senhora, por favor! O transeunte olhou-me de soslaio e sem qualquer palavra continuou o seu caminho. Voltei a gritar tanto quanto podia: – São rosas, são rosas reais. Quem as quer comprar? Sem contar, vejo um braço estender-me um cesto tapado e sussurrar-me baixinho: – troco este cesto pelas tuas rosas. Aceita que ficarás bem servida. Abri o cesto e vi um recheio como nunca tinha visto. Entreguei as rosas, guardando uma no meu bolso. Naquela noite grande, consolei os meus filhos e decorei o leito da princesa com a única flor que tinha. Orava pela sua saúde, quando de repente a rosa se começou a transformar numa linda manta de rosas. Elevei as mãos ao céu e clamei: – São rosas, senhora, as vossas rosas!